terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sobre a idade do céu





O céu e eu

Espero o sono observando calada a rua diante da janela do meu quarto. A noite parece mais escura do que o comum.

Os carros passam desesperadamente, sem nem se importar com as pessoas que caminham nas calçadas. Eu me importo. Observo cada uma delas e imagino o que escondem.  Rostos marcados pelo tempo, passos rápidos e ofegantes rumo ao esconderijo seguro por trás de seus portões.

Olho para o céu. A lua enorme e branca divide espaço com várias estrelas. Certa vez li, não sei onde, que estrelas, apesar de cintilantes, são sempre inúteis. Não penso assim. As estrelas são muito mais complexas do que pontos a brilhar no céu. Quem sabe não haja escondida ali alguma forma de vida mais gentil que a nossa.

Quantos anos haverá na imensidão? Como eu me encaixo no infinito? Quem de verdade habita nesse corpo tão comum?

Não sei. Vivo em um emaranhado de dúvidas que ora me alimentam, ora me machucam a alma. São tantas que não consigo manter todas dentro de mim. Elas saem pela minha boca como borboletas transitantes que se confundem no caminho ao infinito e acabam por voltar. Sem resposta. Sempre.


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