quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sobre o primeiro amor

Foi mais ou menos quando eu tinha uns cinco anos, assim que entrei na escolinha. 

Eu era uma garotinha meio estranha, magrela, franja torta, óculos de fundo de garrafa e bota ortopédica. Ele era baixinho, magrinho, japonesinho. Foi amor a primeira vista. E tinha também que, além de estudarmos na mesma escolinha, ele ainda era meu vizinho da rua de cima.

Eu era mais ou menos assim, igual a Marcie
Era a perfeição! Fazíamos juntos todos os trabalhos escolares — basicamente recortes e colagens de figuras aleatórias em alguma cartolina, tudo com um bocado de cola glitter por cima. Não bastasse isso, depois do almoço nossas mães nos deixavam ir um na casa do outro. Na verdade, tenho para mim que elas faziam muito gosto no nosso relacionamento de "tudo bem, você pode pegar na minha mão".

A professora Neuza também achava muito bonitinho os dois 'tão novinhos e tão apaixonadinhos', tanto que na Festa Junina, antes mesmo que a coreografia da quadrilha estivesse pronta, nos colocou como casalzinho. Nós só não fomos noivinho e noivinha por não termos muita aptidão pra dança. Na verdade, nenhuma.

Lembro que no meu aniversário, depois de cantarem parabéns, nossos coleguinhas entoaram um "Com quem será...", que terminava comigo me casando com ele. Fiquei bravíssima. Onde já se viu? Não que naquela época eu não planejasse isso, mas tem coisas que não precisam ser ditas em voz alta.

Eu pras miguinhas que começaram a cantar

Mas o ano passou e em 1997 eu mudei de escola e de casa. E eu só fui voltar a vê-lo em 2014, pelo Facebook. Ele continua magrelinho e japonesinho (óbvio), e agora esta morando no Japão. Eu também continuo com franja, só que menos torta. E deveria estar com óculo (se não fosse uma cabeça de vento que só percebe que o esqueceu quando chega no trabalho). Só minhas botas ortopédicas que agora são, na maioria das vezes, sapatilhas. 

Mas se nós quase nada mudamos, os planos mudaram muito. Se hoje cantassem que eu ia casar com ele, responderia com a belíssima frase do Du Jorge: "Você está louca, querida".

É como disse Woody Allen: "Se você quer fazer Deus rir, conte a Ele sobre seus planos". Deus deve ter dado gostosas gargalhadas naquela época.

2 comentários:

  1. Se eu fosse da sua turma na escolinha eu cantaria "tá namoran-do! tá namoran-do!". =P

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    1. hahahaha http://38.media.tumblr.com/tumblr_lyk5v8VWBE1r8058ko1_250.gif

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