quinta-feira, 5 de março de 2015

Sobre fiu-fiu, feminismo e Chimamanda

A primeira vez que percebi como o mundo pode ser bem cruel foi quando, indo para a casa da minha vó, decidi parar na sorveteria e comprar um picolé. Enquanto estava parada em um semáforo,  um grupo de meninos passou de carro e insinuou que eu deveria fazer sexo oral neles. Eu tinha 10 anos, ainda brincava de boneca e não estava preparada para ouvir esse tipo de coisa de caras com o dobro da minha idade. Chorei a tarde toda. De noite, me sentindo culpada, contei pra minha mãe o que havia acontecido, imaginando que ela fosse brigar comigo. Ela falou que não era culpa minha e que aquele sentimento ruim ia passar. Melhor mãe!  

Sei que essa história, em maior ou menor grau de agressão, já deve ter acontecido com todas as mulheres e se repetido várias vezes com cada uma delas. E por experiência própria posso dizer: não é nada legal.

Alguns homens podem achar bobo, coisa de feminazis, que abordar uma mulher na rua eleva a auto-estima dela. Queridos, não! Ser chamada de gostosa/delicia/princesa/linda/coisas-que-não-quero-escrever-aqui só constrange mesmo. E ninguém gosta de sentir constrangido.


Acho que no fundo, o que falta aos homens que fazem esse tipo de coisa é empatia, é se colocar no lugar da mulher. 

Alguns podem dizer que há mulheres que gostam desse tipo de aproximação. Pode até ser, mas não dá pra brincar de roleta-russa com os sentimentos alheios, não é verdade?

Mas indo mais a fundo na questão do feminismo, duas coisas aconteceram no ano passado que me fizeram pensar no assunto.

A primeira delas foi comigo, quando consegui um freela. Logo no segundo dia de trabalho o gerente veio me perguntar se eu tinha namorado, já que "era estranho uma menina tão bonita estar solteira". Enfim, no quarto dia ele deu um beijo na minha testa — foi a gota d'água pra mim. Das 17h até às 19h eu ficava sozinha com ele na agência e tive medo de ver até onde ele iria com aquelas insinuações. Pedi demissão com o apoio do meu pai e da minha mãe, o que foi essencial para que eu me sentisse minimamente segura.

A segunda aconteceu com a minha irmã e um namorado que ela teve, que fez um jogo emocional terrível com a pobrezinha, coisa que prefiro nem entrar em detalhes.

Esses dois fatos me ajudaram a perceber como precisamos do feminismo no mundo. 

Yeah, Queen Bey!
Para começar, é preciso entender que feminismo não é o contrário de machismo: machismo é um ideal que coloca os homens como seres superiores, subjugando as mulheres e não admitindo a igualdade entre os gêneros. O feminismo, diferentemente, é a luta pela igualdade, pelo fim do patriarcado que tanto nos oprime. E quem acha que já estamos em pé de igualdade com os homens, saiba que não. Falando bem por cima sobre a situação, nós ainda ganhamos os menores salários e poucas de nós conseguem chegar em uma posição de chefia. Ah, mas nos crimes passionais que acabam na morte de um dos parceiros, nós somos a maioria. 

E isso me faz chegar em Chimamanda, essa escritora incrível por quem eu tenho o maior respeito. Não vou falar muito sobre ela, mas quando tiverem um tempinho, vejam seu discurso no TED. Está tudo ali!



Também há outros exemplos de discursos poderosos, como o da Emma Watson:




* Mione me enche de orgulho*

Uma das mulheres que se declaram feminista que eu mais gosto, sem dúvidas, é a Tina Fey. Ainda não li, mas ouvi dizer que o livro dela, "Bossypants", é maravilhoso. Por tudo que ela fez em SNL, 30 Rock e nas aberturas do Globo de Ouro, não duvido!


Por fim, para quem quiser saber mais sobre o feminismo, deixo como dica o Think Olga, um blog fantástico sobre o tema.


Esse post foi um dos temas do Rotaroots de março. Se junte com a gente lá no facebook e venha fazer parte da galerinha old school da blogosfera!





  




2 comentários:

  1. Que ódio desses meninos ¬¬ 10 anos e ter que ouvir merda .. é isso que me assusta, pois tenho várias sobrinhas mulheres em casa.
    Adorei sua postagem

    www.saidaminhalente.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Clayci. Enquanto não houver a igualdade entre gêneros, haverá esse desrespeito absurdo.

      Obrigada por ler e comentar.
      Bjo

      Excluir