quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sobre Jogos Vorazes - FanFiction

Abro os olhos e dou uma boa observada ao meu redor. De todos os lugares onde imaginei que pudesse estar, esse é o que menos queria. Como sobreviver? Três livros não me ensinaram o suficiente sobre aquele lugar, que diferente de outros da literatura, era completamente mutável. Mas eu estava ali e meu nome foi chamado. Eu agora sou um Tributo dos Jogos Vorazes. Cada ano 23 mortes lembram aos 12 distritos sobre quão doloroso pode ser um levante contra a Capital. Para o vencedor, o privilégio de prosseguir com sua vida - e os pesadelos constantes com aqueles que ficaram na arena.


O trem que me leva à Capital em alta velocidade é repleto de botões que não sei muito bem para que servem, mas que me recordam que devo estar em certa parte sombria do futuro. Aqui tudo é muito diferente. Sou obrigada a comer carne, algumas das quais nem consigo imaginar o animal sacrificado. Ordem do meu Mentor, aquele que me protegerá e conseguirá alguns patrocinadores, que pelo que lembro, poderão garantir o meu futuro nos Jogos. Mesmo a contragosto dou uma garfada. Não gosto do sabor salgado que toca a minha língua, entretanto devo admitir que o acompanhamento, um purê misto de batatas e cenoura está divino. Tento cobrir o gosto da carne com o purê enquanto ouço a representante da Capital falar sobre as atividades que devo realizar antes de entrar na arena. Acredito que as partes mais importantes serão o encontro com meu estilista e a entrevista com Caesar.



Meu estilista prova ser uma pessoa sensata, embora possua o visual carregado, como muitos dos que vivem na Capital. Ao que parece, meu traje, muito bem costurado, me dará alguma diferenciação dos demais Tributos. Na entrevista, minha timidez se sobressai, mas Caesar consegue me deixar confortável o suficiente para que a conversa prossiga. Em dado momento digo algo que me orgulho, mas que não deve ter agradado ao Presidente Snow.

— Não quero ser somente uma peça no jogo — a plateia cheia de seres de cabelos coloridos e tatuagens reluzentes vem abaixo. Lembro-me de Peeta falando isso em algum volume do livro, mas escondido, somente para que Katniss pudesse ouvir. 


Após toda a tortura dos treinamentos, da entrevista, da apresentação e das sessões de preparação para os Jogos, finalmente estou prestes a entrar na arena. Não sei o que foi preparado para a ocasião, mas minha ideia permanece inalterada, independente das circunstâncias. Sem aliados e me mantendo distante de todos. Sim, uma rebelde que pretende não se render aos desígnios do Presidente Snow. Sabendo de toda a história de Katniss, essa parece ser a estratégia apropriada. Foi assim que ela começou em seu primeiro Jogo, no qual se consagrou campeã.


Quando a cápsula é finalmente é aberta, mal posso acreditar em onde estou. Por tantos anos sonhei com esse lugar, e finalmente consegui. Seria o melhor dia da minha vida, se não fosse o pior. O Salgueiro Lutador guarda as armas e alimentos que nós tanto precisamos, o que me leva a crer que a arena, esse ano, é Hogwarts.

















O que se segue é algo completamente esperado por mim. Conforme os Tributos vão se aproximando da árvore, seus galhos enormes os arremessam para longe. Logo me lembro do botão em formato de nó que faria parar a árvore caso apertado, entretanto não sou eu que vou me arriscar a tocá-lo. Por pura sorte, ao jogar o garoto do Distrito 9 no chão, como se o mesmo fosse uma bola de boliche, a árvore me envia uma mochila marrom. Agarro-a pelas alças e saio correndo, sem ousar olhar para trás.


Quando chego ao que acredito ser a estufa da Profa. Sprout, entro e sento, tomando o cuidado de trancar a porta com uma amarração de cordas, como foi ensinado no Centro de Treinamento. Abro a mochila esperando encontrar algo de comer ou beber, mas só encontro um pedaço de pergaminho com a inscrição "Mapa do Maroto" e uma caneta. Sei pelos livros que deveria bater a varinha no mapa e jurar não fazer nada de bom. Porém, esses ainda são os Jogos Vorazes, não há magia por aqui.


De imediato uma ideia me vem à mente. Pego minha caneta e escrevo o nome dos vinte e três Tributos que dividem o espaço comigo. Não me esqueço de olhar uma das câmeras e agradecer ao meu Mentor, que fez com que eu os memorizasse.

— É muito mais fácil lutar quando se sabe contra quem — foi o que ele me disse antes de passar um pedaço de papel contendo fotos e uma biografia dos meus adversários.

Aos poucos cada os nomes escritos começam a se mexer por cima do mapa já desenhado. Em alguns deles, minha caligrafia muda de cor para um tom avermelhado. Presumo que esses já foram mortos. A batalha com o Salgueiro Lutador conseguiu tirar a vida de nove dos meus oponentes.


Penso no que devo fazer. Sabendo a localização de todos eles, seria bastante fácil encontrá-los e acabar com um por um. Mas em minha mente, as palavras que disse na entrevista com Caesar se mostram mais brilhantes do que nunca — eu não quero ser somente uma peça no jogo. Decido por usar meu conhecimento para me afastar cada vez mais. E assim dias se passam. Quando um Tributo se aproxima de onde estou, rapidamente procuro outro esconderijo. Descubro que a Floresta Proibida é um bom lugar para encontrar água e alimento, principalmente se você souber qual cogumelo é o correto para se comer.


No momento, tenho apenas mais cinco oponentes e me encontro bastante distante deles. Fiz bom uso do Mapa do Maroto durante esse tempo, e agora tenho em mãos alguns objetos e alimentos que se encontravam perto do Salgueiro Lutador, como os feijões, que assim como os do livro possuem todos os sabores, um vidrinho com veneno de Basilisco e um abafador de orelhas que utilizo como aquecedor de orelhas nas noites frias.

Não recebi nada de meus patrocinadores até o momento. Acredito que uma garota sem muita vontade de enfrentar outras pessoas não deve soar muito animador, mas ainda assim me sinto confortável nessa posição.

Estou estudando meu mapa quando percebo que algo está muito errado. Três dos meus cinco adversários são mortos quase que simultaneamente, enquanto os dois restantes correm em minha direção. Agarro minha mochila e saio correndo, mas em pouco tempo eles me alcançam. Percebo que ambos estão correndo de uma imensa aranha, que acredito ser Aragogue. A garota do Distrito 3 tropeça em um pedaço de madeira e Aragogue começa a soltar suas teias ao redor da garota. Eu e o garoto do Distrito 2, agora únicos sobreviventes, olhamos aterrorizados  ao que acontece, mas percebemos que esse é o momento de agir. Ao que parece, praticamente no fim dos Jogos consigo um aliado.


Seguro meu veneno e o abafador nas mãos e passo minha mochila para ele, que possui gasolina e fósforos. A mochila em chamas é jogada em Aragogue. Ela morre muito rapidamente e não acredito que nosso fogo seja o responsável por isso. Os idealizadores querem um confronto dos dois últimos Tributos.

Não sei como agir, mas algo me impulsiona a correr diretamente para a estufa da Profa. Sprout. Chego ofegante, mas não fecho a porta atrás de mim, afinal, sei exatamente o que fazer. Coloco meus abafadores de orelha e, assim que meu adversário chega, vou arrancando as Mandrágoras de seus vasos. Ele começa a se contorcer com as mãos nos ouvidos, e por conta disso imagino que o barulho deva ser excruciante. Não demora muito para que eu perceba que ele está completamente morto. À custa do carreirista, eu sou a vencedora desse ano.

Recuso-me a pensar que joguei conforme a Capital queria, e então lembro do veneno do Basilisco, que até aquele momento em nada tinha me servido. Naquele ano não haveria vencedores - eu não vou ser só mais uma peça desse jogo.

Caminho lentamente até o Salgueiro Lutador pensando em cada uma das consequências de meu ato. Chegando lá, canto a canção de Katniss, que imagino também faça sentido por aqui, e tomo um gole do veneno. Antes que ele comece a surtir efeito olho para a câmera e grito — Presidente Snow, se eu queimar, você queima junto. Era o fim do 74º Jogos Vorazes. Era o começo da Revolução em Panem.



Ei, gostaram?
Me diverti bastante escrevendo isso aqui e relembrando as histórias — e tudo isso graças ao Rotaroots, esse grupo incrível de blogueiros que deu como tema do mês de julho falar sobre seu lugar preferido na ficção! Visita a gente lá e leia mais posts fantásticos sobre o assunto.

2 comentários:

  1. Nossa, vc misturou Panem com Hogwarts, comassim! Adorei! Eu tava lendo e do nada surge o salgueiro lutador haha xD
    Texto muito bem escrito aliás, parabéns. Bjs

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    Respostas
    1. Oi, Leticia!

      Que bom que gostou :) Não consegui escolher entre um e outro, dai misturei os dois xD

      Bjo!!!

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