quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sobre gentileza

Vamos falar sobre assunto sério, tipo amor, empatia e ser bacanas uns com os outros? Há um tempo atrás vi um post muito bonito do Josh Radnor (aka Ted Mosby) sobre gentileza. Leia aqui (em inglês).

Tem uma parte que adoro. Fiz uma tradução bem mais ou menos dela:

"Realmente me choca quando eu encontro pessoas que pensam que ser gentil não é importante. Porque eu acho que é só o que importa (...). Não se trata de ser “bom” (um conceito, no mínimo, pesado) ou “legal” (...). É sobre compaixão, sobre reconhecer que todos nós passamos por coisas de forma particular, independente de nossos status sociais.

Não somos juízes para julgar quem é digno de nossa gentileza ou não. Nós só precisamos ser gentis, incondicionalmente e sem segundas intenções mesmo – ou melhor, especialmente, –  quando preferíamos não ser. Para mim, é simples e não totalmente altruísta: quando sou gentil, me sinto bem; quando não, me sinto horrível."

Josh, vamos casar? 
Costumo pensar que boa parte dos problemas do mundo seriam resolvidos se as pessoas levassem a sério esse lance de ser gentil e ter empatia com as pessoas. É uma questão que vai tão além da educação. Na verdade, é sobre amor mesmo.

Uma vez li que algumas pessoas seguem o ideal de "amar ao próximo como a nós mesmos" considerando "próximo" não no sentido daquele que está perto, mas no de igual, ou seja, amam aqueles que são parecidos, possuem os mesmos gostos e convicções. É um amor narcisista, o mais triste dos amores, já que não parte do princípio da empatia e do respeito, de entender, como Josh disse, que os outros também tem seus dilemas particulares.

Tô aqui fazendo esse textão porque tenho lido e ouvido muitas coisas que me deixaram extremamente chocada. É só ver os comentários em portais para encontrar aqueles sujeitos que pensam que se eles não passaram por determinada situação, ela não existe no mundo. "Nossa, já vem com esse mimimi" é a frase padrão dessas pessoas. Porra, é tão difícil ouvir, compreender e acolher o lado que sofre?



Desse amor narcisista nasce também a solidariedade seletiva. Uma tristeza... Há um tempinho estava em um evento de voluntariado quando ouvi de uma mulher que "esses haitianos tinham que ser expulsos do país, afinal, eles estão roubando empregos". E sim, essa mulher dedicava um tempo de sua vida para a caridade, para o amor ao "próximo". Lembrei disso quando vi a foto do Aylan, a criança síria que acabou morrendo quando, assim como os haitianos aqui, procurava uma vida melhor na Europa.

Não tô dizendo que é fácil virar Madre Tereza de Calcutá ou Buda ou qualquer outra personalidade que te inspire paz. Vez por outras vamos errar, é claro. Mas seria bacana se respeitássemos um pouquinho mais os outros e tentássemos ver os dois lados de cada história. Há muito que não sabemos sobre o mundo. Em vez de falar e julgar, ouça e aprenda.

Ouviu,  aprendeu e ainda assim acha que sua opinião é importante e deve ser ouvida? Ótimo! Porém, antes de começar a gritar e xingar, lembre-se que existe n+1 possibilidades de se dizer a mesma coisa, sem precisar ofender ninguém para isso.

Bom, precisava desabafar depois de ler um bocado de abobrinha por aí. Tudo o que eu disse aqui é meio óbvio, mas acho que falar de amor é sempre importante


4 comentários:

  1. Ótimo texto. Infelizmente uma coisa tão simples como ser gentil, ou olhar o ser humano além de suas crenças e raça, se torna muito difícil em nossa sociedade. Vivemos em um ambiente hostil onde a maioria não se importam com o próximo.

    ResponderExcluir
  2. Falta muito isso das pessoas se colocarem no lugar das outras... E não apenas como algo tão hipotético que a sua reação seria completamente hipotética também. É pensar que o outro é gente como a gente, que tem problemas e também merece no mínimo respeito.Que falta gentileza no mundo, isso falta... mas a gente segue fazendo a nossa parte <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, Lu! Cada um fazendo sua parte já faz uma diferença enoooorme <3

      Excluir